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Thomas Schattner

Desde que os homens e os monumentos existem, querem ser percebidos. Não são só pessoas e objetos, como a sua forma exterior insinua, mas pedem que, neles, se veja mais.
Mesmo que o seu esplendor já tenha passado, permanecem ainda vestígios desses dias poderosos abrindo portas à fantasia e à imaginação.
O que melhor descreve a interação do ser humano com o seu mundo é o verbo olhar. Quem olha, aciona todos os seus instrumentos intelectuais com o objetivo final de perceber o que está a ver: capta e focaliza o objeto, analisa e interpreta, para finalmente formar uma opinião. Os museus são o lugar para olhar desta forma.
Agora, o Centro Cultural de Cascais inaugura a exposição com o título: Blick Mira Olha! (*)e chama a atenção para o olhar dos fotógrafos sobre os monumentos arqueológicos da Península Ibérica, que os rodeiam. Imagens captadas pelos muitos fotógrafos do Departamento de Madrid do Instituto Arqueológico Alemão, entidade centenária dedicada à investigação arqueológica. O título - BlickMira Olha! - em três línguas, indica o carácter universal da exposição, que se tem vindo a mostrar com notável sucesso em várias cidades desses três países. No fundo, trata-se de descobrir o aspeto intelectual dos monumentos, como Thomas Mann dizia. Esse encontra-se sempre que o homem se entrega aos seus sentidos. Foi o
que aconteceu à minha família, quando chegámos a Cascais, em tempos passados, e decidimos sediar-nos. Foi o cultivar privado do estímulo estético, que em dias frios e chuvosos de
outono, que se descobre com alguma facilidade.
Último Diretor do Instituto Arqueológico Alemão em Portugal
(Opinião Cultura in C - Boletim Municipal, nº 4, Novembro 2011)