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Aldeia SOS de Bicesse comemora 50 anos

A Aldeia SOS de Bicesse juntou na celebração dos seus 50 anos, no dia 29 de outubro, residentes, ex-residentes e suas famílias, amigos, benfeitores, numa cerimónia muito emotiva, repleta de memórias, e de reencontros.

“Amor e um lar para cada criança” foi a premissa para a criação das Aldeias de Crianças SOS em Portugal e, desde então, essa tornou-se na missão da primeira Aldeia, a de Bicesse, fundada em 1967.  Ajudar a criar um projeto de vida para cada criança integrando-a numa família SOS, até que esta se torne autónoma e faça parte da sociedade. Em Bicesse, cada criança frutifica relações familiares e de amizade, crescendo protegida, com amor, respeito e dignidade.

“50 anos de existência é motivo suficiente para celebrar. Acresce o facto de estamos a celebrar um aniversário de solidariedade, exemplo de partilha com o outro. No caso das Aldeias SOS, os outros são simultaneamente os mais frágeis e a nossa promessa de futuro, são as nossas crianças”, mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. Apesar de não poder estar presente, não deixou de enviar uma mensagem de parabéns à Aldeia de Bicesse, lida na cerimónia por uma ex-residente da casa. “Enquanto cidadão sempre acompanhei a vossa familia, enquanto Presidente da República não posso deixar de reconhecer o vosso compromisso social. Agradecendo à Aldeia de Bicesse pelas cinco décadas de compromisso e solidariedade: deixo uma última palava de ânimo e de incentivo,  enquanto Presidente da República peço que continuem a traçar esse caminho feito de afetos”, acrescentou.

Marcelino dos Santos Mota, ex-residente da Aldeia, onde esteve desde 1973, com três anos até 1991, diz que daqui levou o conceito família. “Hoje sou pai de três filhos. O mais importante é a comunhão que temos uns com os outros, estabelecemos relações muito fortes com todos os “irmãos”, mães e colaboradores da Aldeia”, afirma.

Dalcinda Martins mãe de coração há 36 anos na Aldeia é a mãe mais antiga e já teve a seu cargo 33 crianças e jovens. “Ser mãe é alguém que cuida, aceita, apoia e está lá nos bons e maus momentos. É assim que se constrói a vida, nas relações do dia-a-dia. Viver a vida, apenas isso” acrescentou.

“50 anos são sempre uma data com um significado especial, mas neste caso, são 50 anos de amor para com aqueles que estavam mais fragilizados: crianças, órfãos, oriundos de famílias destruturadas, que aqui encontraram um ambiente de amor, de carinho e de formação”, disse Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais, no final da cerimónia da celebração. “Dou os parabéns à Aldeia de Bicesse e acima de tudo agradeço às mães de coração que ajudaram nestes anos, estes jovens que por sua vez ajudaram toda a nossa comunidade a ser mais coesa do ponto de vista social. Enquanto presidente da Câmara expresso um profundo reconhecimento a todas essas mães e a todos os colaboradores da Aldeia”.

“É um orgulho enorme juntar a nossa família para celebrar os 50 anos desta Aldeia, que tem a difícil missão de construir famílias para crianças em risco, ajudando-as a ser parte da construção do seu próprio futuro. Em conjunto com uma comunidade envolvente, da qual temos orgulho de fazer parte integrante”, disse Jorge Carvalho, presidente do conselho executivo das Aldeias de Crianças SOS de Portugal.

A Aldeia SOS de Bicesse recebe crianças e jovens dos três aos 23 anos. Neste momento vivem 57 crianças, com as suas nove mães SOS. Pela aldeia já passaram cerca de 280 jovens, hoje independentes. O trabalho desenvolvido pelas fundadoras em 1964, Maria do Céu Mendes Correia e Palmira Cabrita Matias em prol das crianças socialmente desprotegidas em Portugal, fiel aos princípios do modelo das Aldeias SOS preconizadas na Áustria por Hermann Gmeiner, começou a tornar-se realidade na tarde de domingo, 29 de outubro de 1967. Maria do Céu  defendia no seu discurso de inauguração que “para fazer assistência à criança não basta prover às suas necessidades materiais, é necessário satisfazer igualmente necessidades espirituais e afetivas. Os princípios desta obra derivam da reprodução tão fiel quanto possível da vida em família: o amor maternal, a segurança do lar, a comunidade familiar unida e alegre. A criança na Aldeia SOS para ter segurança viverá, com os seus irmãos e irmãs, numa casa que sentirá como sua, o cuidado de uma mãe que será sua mãe para sempre”.

Uma celebração que durou toda a tarde e se prolongou pela noite. Começou por uma missa presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, que conheceu as fundadoras da Aldeia, enquanto seminarista nos Maristas. As nove mães foram agraciadas com um fio, uma singela homenagem ao seu trabalho. Seguiu-se o descerramento de um painel de azulejos comemorativo dos 50 anos. Com bastante emoção, os ex-residentes cantaram o Hino da Aldeia das Crianças. Houve ainda o descerramento de placa da Casa das Fundadoras, (Casa CAT), uma casa que alberga dez crianças, a maior existente agora na Aldeia. A festa terminou com um lanche de confraternização. O espirito das Fundadoras foi bem notório neste domingo, 50 anos depois.

                                                                                                                              

 

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